Edificado na primeira metade do séc. XVIII, é conhecido como Palácio Pimenta, nome de um dos seus últimos proprietários, ou por Palácio do Campo Grande, pela sua localização urbana. Embora seja um edifício de elevada qualidade arquitectónica, nenhuma notícia ou documento sobre a sua construção chegou até nós, permanecendo uma incógnita tanto a sua encomenda como a sua autoria. No entanto, pelas características da construção dois grandes arquitectos joaninos surgem como possíveis autores – Carlos Mardel e Ludovice. Assim, se o tratamento do telhado e certa graciosidade da obra nos levam a pensar em Mardel, a elegância das molduras das janelas aproximam-nos mais de Ludovice.
É um edifício notável pelo equilíbrio e harmonia da fachada e pela qualidade da sua decoração azulejar, parte dela joanina, datada de 1746, e outra executada já sob o reinado de D. José, ambas saídas das oficinas de Lisboa.
Apresentando uma tipologia característica das residências de campo deste período, denunciada pela planta em U, apresenta um corpo principal composto por piso térreo, andar nobre e andar amansardado, prolongando-se pela retaguarda em dois corpos térreos simétricos, ocupados pela cozinha, capela, antiga cavalariças e dependências para serviços.
A sua fachada principal define-se pela demarcação de cinco corpos, sendo que dois, um em cada extremo, são ligeiramente recuados em relação aos outros três. O corpo central apresenta um portal de arco pleno, rasgado entre pilastras com volutas que apoiam o saliente balcão do piso superior, encontrando-se ladeado por janelas rectangulares com gradeamento simples. No 2º piso, três janelas de sacada abrem para o balcão, guarnecido com grades de ferro forjado, sendo a do centro encimada por frontão semicircular e as laterais por frontões curvos. Sobre a janela central e interrompendo a linha do telhado, destaca-se um frontão circular, em cujo tímpano foi colocado brasão com as “Armas da Cidade”.
Os restantes corpos apresentam, ao nível do 2º piso, uma fenestração regular, composta por um total de dez vãos, verificando-se a repetição de um mesmo tipo de janela de sacada de sóbria decoração, que se diferencia das do corpo central pela inexistência de frontão. Ao nível do 1º piso, não há qualquer distinção na tipologia dos vãos existentes nos cinco corpos, verificando-se a repetição de um único tipo de janela rectangular. Aqui, a diferenciação entre o corpo central e os restantes quatro corpos que o ladeiam, é marcada pelo gradeamento de ferro “de barriga” que se sobrepõe às janelas dos corpos laterais, surgindo este como contraponto à simplicidade do gradeamento existente nos dois vãos do corpo central.
A ampla inclinação do telhado, do lado da fachada principal do Palácio, é justificada pela existência de um 3º piso amansardado, com janelas rasgadas apenas no seu lado tardoz.
As fachadas laterais e a fachada posterior apresentam janelas com recorte semelhante às dos corpos laterais da fachada principal, o que atribui a todo o conjunto uma grande harmonia.
Completando este conjunto, o Palácio beneficia ainda de um enquadramento paisagístico, constituído por uma mata e Jardim de Buxo que conserva quase na íntegra o seu delineamento inicial. Na extremidade da mata existe um Jogo da Pela, passatempo muito apreciado pela fidalguia setecentista, ao qual se tem acesso através de uma alameda ornada de bustos de figuras mitológicas e urnas, oriundas dos jardins do Palácio de Flor da Murta, a S. Bento.
Mais recentemente, num lago foram colocadas as estátuas de sereias e tritões que pertenciam a um dos chafarizes do Passeio Público de Lisboa.
Foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1936.