A elaboração da Carta Arqueológica Lisboa em base informática geo-referênciada é um dos projectos assumidos pelo Serviço de Arqueologia do Museu da Cidade desde 2003.
Se o quadro legal português e o Plano Director Municipal de Lisboa estabelecem a protecção, salvaguarda e valorização do Património Arqueológico, esses objectivos só poderão ser assegurados através da inventariação dos bens arqueológicos e da gestão integrada desse tipo de património. Assim, a Carta Arqueológica funcionará como instrumento determinante para o desenvolvimento sustentável de Lisboa e para a definição das suas politicas de ordenamento do território.
Neste projecto, o Serviço de Arqueologia do Museu da Cidade desempenha dois papéis diferentes mas complementares. Por um lado é interventor directo no terreno, ocupando-se de quase todas os trabalhos arqueológicos decorrentes de obras de iniciativa municipal e das intervenções monográficas decorrentes do seu plano de actividades. Por outro, assume-se como gestor da informação arqueológica do município, já que o número elevado de intervenções arqueológicas em Lisboa, sejam elas de peritagem, prevenção, emergência, ou valorização, levou ao aumento do número de interventores, bem como à diversidade do seu enquadramento. Já não são apenas os agentes do Estado, ou do Município, a responsabilizarem-se e a assumirem essas intervenções, como aconteceu até meados da década de 90 do século XX. Os profissionais liberais e as empresas privadas de Arqueologia assumem, actualmente, um protagonismo evidente como interventores no terreno. Ambos respondem directamente à Administração Central (IGESPAR, I.P.), que lhes concede a autorização para a intervenção e a quem são obrigados a reportar – mais uma razão que torna a tarefa da elaboração da Carta Arqueológica de Lisboa por um serviço municipal como o Serviço de Arqueologia do Museu da Cidade, uma prioridade.
Como todas, a Carta Arqueológica de Lisboa nunca estará terminada. O subsolo da cidade é um repositório quase inesgotável de testemunhos do passado e da evolução histórica, modelados por materialidades muito diversas. Assim, a elaboração da Carta Arqueológica assume-se como um projecto em permanente construção, para o qual todos são convidados a contribuir os cidadãos, promotores de obras na cidade e arqueólogos.